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O Gesto da Lacuna: quando chega a sentença da espera

1 de set.
2 min de leitura

Esperar um filho pela via da adoção é uma experiência muito particular.

Na gestação, existe um tempo esperado para a chegada, um corpo que se transforma e uma série de referências que ajudam a construir essa espera. Na adoção, depois que os pretendentes cumprem as etapas de habilitação e são inseridos no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), começa um período sem prazo definido para terminar.


O que acontece durante a espera?


O artigo propõe olhar para esse período não simplesmente como um intervalo entre a habilitação e a chegada de uma criança.

A espera pode se tornar um tempo importante para refletir sobre o desejo de adotar, sobre as expectativas construídas em torno do filho imaginado e sobre a própria complexidade da formação de uma família pela via da adoção.

O problema é que esse processo nem sempre encontra um espaço de escuta dentro do percurso institucional.

É nesse lugar que os Grupos de Apoio à Adoção assumem uma função relevante, criando espaços de troca, pertencimento, informação e compartilhamento de experiências entre pessoas que atravessam diferentes momentos do processo adotivo.

Mas há questões que pertencem à história particular de cada pessoa e de cada família e que podem não encontrar espaço no coletivo.


A escuta individual durante o processo de adoção


É nesse ponto que o artigo apresenta o trabalho da Doula de Adoção.

A doulagem oferece uma escuta individualizada às famílias durante as diferentes etapas do processo adotivo. Um espaço para que expectativas, inseguranças, angústias e questões relacionadas ao desejo de parentalidade possam ser trabalhadas considerando a singularidade de cada história.

A proposta das autoras é pensar, portanto, no que pode acontecer dentro desse tempo de espera.

Em vez de um período vazio entre a sentença de habilitação e a chegada do filho, essa lacuna pode se tornar um tempo de movimento e elaboração. Um espaço no qual os futuros pais também possam construir sua própria narrativa e se preparar para receber uma criança que chegará trazendo consigo uma história que começou antes daquele encontro.






 
 
 

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