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Parentalidade e filiação adotiva: reflexões sobre vínculos, histórias e adoção

25 de ago.
2 min de leitura

A chegada de uma criança pela via da adoção não começa uma história do zero.

Há uma história da criança, uma história daqueles que desejam se tornar pais e, a partir do encontro entre elas, a construção de uma nova história familiar.


Pensar a adoção exige, portanto, ir além da ideia de chegada ou pertencimento formal. Exige olhar para os vínculos que estão sendo construídos, para as expectativas que acompanham os adultos, para aquilo que a criança ou o adolescente já viveu e para as diferentes questões que podem surgir ao longo desse percurso.


É nesse campo de reflexão que se insere o livro Parentalidade e filiação adotiva: O olhar da Doula de Adoção (Um livro para pais e profissionais), do qual tenho a satisfação de participar como uma das autoras.


Publicado pela Editora CRV, o livro reúne diferentes profissionais e experiências ligadas à adoção e busca aproximar teoria e prática para ampliar a discussão sobre parentalidade e filiação adotiva. A obra é o segundo volume da coleção e foi organizada por Mayra Aiello Corrêa de Oliveira, Marianna Muradas e Carolina Raquel Rabitto de Souza.


Por que falar sobre adoção?


A adoção atravessa diferentes momentos da minha trajetória profissional.


Durante dez anos, trabalhei como psicóloga no Tribunal de Justiça de São Paulo, atuando, entre outras áreas, nas Varas da Infância e da Família. Posteriormente, minha formação como Doula de Adoção e o trabalho desenvolvido com famílias e profissionais aproximaram ainda mais minha prática das questões relacionadas à filiação adotiva.


Essas experiências reforçaram algo que também orienta minha clínica: não existe um único modelo de infância ou de família.


Cada criança chega com sua história. Cada adulto também. E a construção de uma família acontece a partir desse encontro, com suas possibilidades, expectativas, dificuldades e vínculos.


Por isso, falar sobre adoção não significa procurar uma fórmula sobre como uma família adotiva deve funcionar. Significa criar espaço para compreender as particularidades dessa forma de constituição familiar e reconhecer a singularidade das pessoas envolvidas.


Um livro para pais e profissionais


A proposta do livro é justamente ampliar esse olhar. A publicação reúne reflexões produzidas no contexto da formação de Doulas de Adoção e contribuições de outros profissionais ligados ao campo, discutindo questões que atravessam a adoção e a construção dos vínculos familiares.


É uma leitura destinada tanto a profissionais que trabalham com adoção quanto a mães, pais e pessoas interessadas em compreender melhor os processos envolvidos na filiação adotiva.

Para mim, participar dessa obra também significa colocar em diálogo diferentes partes da minha trajetória: a Psicologia, a Psicanálise, o trabalho com infância e família, a experiência no Judiciário e a atuação como Doula de Adoção.


São caminhos diferentes que acabam se encontrando em uma questão que permanece central no meu trabalho: a escuta das histórias, das relações e dos vínculos que constituem cada pessoa e cada família.


O livro foi publicado em 2026 pela Editora CRV e está disponível em versão física e digital.



 
 
 

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